O irromper da sexualidade no urbano: imaginar modos de habitar pelos afetos
Mayara Sebinelli Martins
Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Aplicadas
Orientador: Eduardo José Marandola Júnior
RESUMO
Pensando desde a obra de Merleau-Ponty e seu conceito de corporeidade, esse trabalho buscou olhar para modos pelos quais a sexualidade, aqui compreendida como ontológica, irrompe na experiência urbana. A experiência é debatida a partir dos trabalhos de Marandola Jr., que argumentam em favor do entendimento dessa pela reconciliação entre linguagem e corporeidade, indo além da língua e do dizível e retomando o sensível. Pelo (re)contar histórias de pessoas de diferentes sexualidades através de crônicas, podemos olhar para a imaginação e os afetos como caminhos para a vivência da sexualidade e o habitar urbano, especialmente para as dissidências. O sentido de habitar ao qual nos debruçamos é aquele defendido por Heidegger, enquanto a própria ontologia do ser, reconectando o humano à terra por um demorar-se que é próprio de nossa finitude. Por fim, há um diálogo com a Arquitetura, a fim de pensar como esses modos de habitar alçados pelo imaginar e o afeto político podem nos ajudar a pensar novas formas para o fazer arquitetônico e urbanista, formas que tragam de volta o mistério para o humano, como defende Cantarino, e nos permitam a opacidade de ser – em contraposição com a transparência moderna em que nos encontramos.
Palavras-chave: Experiência Urbana, Queer, Crônica, Corporeidade