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abril2026
Protagonismo e resistência na academia: A Professora Dra. Jamille Payayá (povo Payayá) e estudantes indígenas que organizaram o Abril Indígena 2026 em Limeira. O evento chegou à sua segunda edição e celebra a presença viva e transformadora de 80 acadêmicos de 20 diferentes povos originários no campus, reafirmando que seus saberes ancestrais são ciência e riqueza para a universidade e para o município (foto: Cristiane Kämpf – Comunicação FCA)

A Faculdade de Ciências Aplicadas e a comunidade de Limeira celebraram, ao longo deste mês, o Abril Indígena 2026. O evento trouxe este ano sua segunda edição, com a exposição “Xinănawahu – Pensamento dos Povos: Sementes”, focada nos conhecimentos tradicionais que tratam as plantas como o ventre da criação.

O Abril Indígena é organizado por docentes e estudantes, dedicado à celebração e ao conhecimento das culturas e lutas dos povos originários do Brasil. Sua importância reside no desenvolvimento de ações que promovam uma educação antirracista e na difusão da presença indígena na universidade, não como uma reminiscência do passado, mas como uma presença viva que valoriza as epistemologias tradicionais.

Nesta edição, o evento alcançou um impacto significativo, recebendo aproximadamente 2 mil visitantes. O público incluiu estudantes de várias escolas da rede municipal de ensino, que participaram de vivências culturais e oficinas. Além das atividades na FCA, a programação se expandiu e também aconteceu em outras universidades da região.

Para a Professora Dra. Jamille Payaya, organizadora do evento e docente da FCA, a iniciativa reafirma que a cultura originária é uma realidade atual. “Nossa presença na universidade não é uma reminiscência do passado, mas uma realidade que se manifesta na memória e na existência de nossos estudantes”, afirma a professora, destacando que o campus de Limeira abriga hoje 80 estudantes indígenas de 20 povos diferentes. Jamille, que traz em sua história a marca da colonização — como o fato de seu pai ter sido proibido de falar sua língua originária na escola —, vê no evento um fortalecimento dos laços comunitários.

“Em Limeira, o objetivo tem sido difundir a cultura e a presença indígena na região e na própria universidade, trabalhando as relações entre tradição e cultura não como reminiscência de um passado que já não é, mas como como presença, seja pela memória da população ou por hábitos e costumes, seja pela existência dos próprios estudantes indígenas. Essa perspectiva foi reforçada pelos levantamentos recentes do Censo Demográfico 2022, que divulgou os resultados do recenseamento indígena, colocando o estado de São Paulo como aquele com maior diversidade de povos (superando os estados amazônicos). Essa presença expressiva especificamente no município de Limeira é uma novidade, apresentando situações que demandam ações de difusão e divulgação das culturas dos povos indígenas, potencializando assim alianças, diálogos e inserção dos estudantes e da população indígena em geral. De outro lado, é uma demanda das escolas das redes público e privada de ensino do município, o desenvolvimento de ações que promovam uma educação antirracista, voltada para a diversidade e as relações étnico-raciais. Internamente, tais iniciativas reverberam nas ações de permanência estudantil, pois os estudantes indígenas participam das atividades, trazendo suas experiências, conhecimentos e cultura, valorizando suas próprias epistemologias, resultando em fortalecimento de seu lugar na universidade e no município com protagonismo.”

O protagonismo estudantil também foi um pilar central das atividades. Amanda Kumaruara, estudante indígena da Unicamp, ressalta a importância dessa ocupação do espaço acadêmico:

“Para mim, o protagonismo indígena dentro da universidade é essencial. Ocupamos esses espaços não só para resistir, mas para trazer nossas perspectivas, nossas histórias e nossos saberes ancestrais. É assim que construímos uma universidade mais plural, e cada evento, como o nosso sobre sementes no Abril Indígena, é uma semente plantada para a autonomia e o futuro dos povos originários”.

O sucesso e a promoção do evento foram possíveis graças à organização e parcerias entre a Unicamp, a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, a FCA, a Faculdade de Educação, a Diretoria Executiva de Direitos Humanos, o Programa de Pós-Graduação ICHSA, a Comissão Assessora para a Inclusão Acadêmica (CAIAPI), o Laboratório LAGERR, a Adunicamp, o Coletivo dos Acadêmicos Indígenas da Unicamp, o Coletivo dos Estudantes Indígenas de Limeira e a Prefeitura de Limeira.

(Texto elaborado com uso de ferramentas de IA. Edição e supervisão: Comunicação FCA)

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