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Relações Internacionais na Unicamp: curso mira atuação global a partir do interior paulista

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Imagem do campus da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp em Limeira: região deve receber curso de Relações Internacionais da Unicamp

A Universidade Estadual de Campinas amplia sua atuação na formação de profissionais voltados para a inserção internacional ao lançar o curso de Relações Internacionais na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), em Limeira. A iniciativa busca suprir uma lacuna estratégica em uma das regiões mais industrializadas do interior paulista (Limeira-Piracicaba-Campinas) e preparar especialistas para atuar em contextos globais. Segundo Rafael Dias, a proposta é formar profissionais capazes de “articular interesses regionais em arenas globais, navegando com sensibilidade por barreiras burocráticas e culturais para fortalecer a inserção internacional estratégica de todo o ecossistema regional”.

Previsto para iniciar em 2027 com 60 vagas, o bacharelado adota uma abordagem interdisciplinar que integra política, economia, direito e tecnologia, formando profissionais capazes de atuar “do interior paulista para o mundo” e inclui a criação de um Laboratório de Pesquisas em Relações Internacionais a partir da graduação. A proposta busca não apenas democratizar o acesso a uma carreira estratégica, mas também qualificar a gestão pública local para a internacionalização dos municípios e a captação de recursos externos.

O diferencial do curso está na formação de profissionais aptos a converter diretrizes macroestratégicas em ações locais de alto impacto. O currículo se organiza em três pilares: soberania digital, voltada à compreensão do exercício do poder por meio da tecnologia; comunicação intercultural, essencial para a cooperação em contextos diversos; e negócios globais, que envolve a análise de riscos políticos e transformações geopolíticas. Essa base permite ao internacionalista aproximar grandes agendas, como o desenvolvimento sustentável, das demandas concretas de empresas e governos.

Base acadêmica para atuação global

Alcides Peron, formado em Relações Internacionais e Ciências Econômicas pela Facamp e com mestrado e doutorado pela Unicamp, é docente da FCA e destaca que “a natureza multidisciplinar da área reflete o próprio caráter complexo das relações entre Estados, organizações internacionais, empresas e sociedades”.

Segundo ele, essa característica dialoga diretamente com o projeto acadêmico da FCA, marcado pela integração entre áreas e pela busca de soluções para problemas contemporâneos. “O curso de Relações Internacionais vem sendo concebido justamente para se inserir nesse ambiente, estabelecendo conexões com diferentes formações já presentes na unidade.”

Peron ressalta ainda que essa formação ganha força ao se articular com outros campos do conhecimento. Um exemplo é o diálogo com a Administração Pública, que contribui para preparar gestores capazes de lidar com a crescente internacionalização dos municípios. “Esse processo envolve desde parcerias internacionais e participação em redes de cidades até cooperação descentralizada e captação de recursos junto a organismos multilaterais. Nesse contexto, o internacionalista pode qualificar políticas públicas locais em um cenário global cada vez mais interconectado.”

O docente também aponta a aproximação com áreas tecnológicas emergentes. “A presença do curso de Inteligência Artificial e Ciências de Dados na Faculdade abre espaço para interações importantes entre tecnologia e análise internacional. A difusão de plataformas digitais e sistemas automatizados gera impactos econômicos e sociais que ultrapassam fronteiras e exigem avaliação crítica de seus efeitos regionais.” Nesse sentido, profissionais com formação em Relações Internacionais e capacidade de dialogar com especialistas em tecnologia podem contribuir para analisar essas transformações e orientar estratégias institucionais e empresariais em um cenário de rápida inovação.

A criação do curso já foi aprovada na Câmara de Ensino, Pesquisa e Extensão da Unicamp em dezembro de 2025 e deve passar por aprovação final do Conselho Universitário no dia 31 de março.

O internacionalista: um tradutor das complexidades contemporâneas

Anna Pizarro é profissional de Relações Internacionais com experiência nos setores educacional e corporativo, incluindo atuação em grandes multinacionais. Atualmente, integra o Escritório Comercial do Chile no Brasil, ligado ao Consulado Chileno, onde trabalha no fomento às exportações do país para o mercado brasileiro.

Para ela, a formação na área é essencial para interpretar as dinâmicas do cenário internacional. “Com uma base que reúne política, economia, história, comércio e teoria, o profissional desenvolve uma sólida capacidade analítica para compreender contextos, identificar tendências e avaliar impactos no ambiente de negócios.” Essa visão abrangente permite uma atuação estratégica e integrada, especialmente em organizações com presença global.

Anna destaca que o diferencial do internacionalista está na agilidade transcultural: a capacidade de transformar diretrizes amplas em ações práticas de alto impacto, superando barreiras burocráticas e identificando oportunidades com sensibilidade. “A relevância do profissional de Relações Internacionais reside em sua capacidade de atuar como tradutor de complexidades, articulando diferentes contextos e interesses no ecossistema de negócios.”

Esta percepção é compartilhada por Gabriela Almeida, gerente executiva de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU – Rede Brasil. Segundo ela, esse profissional ocupa uma posição cada vez mais estratégica em um mundo marcado por interdependências econômicas, políticas, ambientais e sociais. “A formação em RI permite compreender dinâmicas globais, analisar riscos e oportunidades e atuar como elo entre governos, empresas, organizações internacionais e sociedade civil.”

Com mais de uma década de experiência em uma iniciativa das Nações Unidas voltada à mobilização do setor privado para o desenvolvimento sustentável, Gabriela ressalta a capacidade do internacionalista para articular interesses diversos e promover cooperação entre diferentes atores.

Na prática, afirma, esse profissional atua como facilitador de diálogo e de soluções coletivas. “No ambiente empresarial e institucional, pode contribuir para a implementação de padrões internacionais ligados a direitos humanos, trabalho decente e sustentabilidade, conectando compromissos globais às realidades locais. Ao transitar entre a governança internacional e os desafios específicos de países e setores, o internacionalista fortalece políticas e práticas mais responsáveis, alinhadas a acordos internacionais e ao avanço do desenvolvimento sustentável.”

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Em sentido horário: Gabriela Almeida, Anna Pizarro, Alcides Peron e Rafael Dias. Profissionais falaram sobre a formação em Relações Internacionais

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